País de navegantes
Banda larga e acesso da Classe C ao mundo digital elevam para 10,6 milhões o número de usuários residenciais da internet
Alexandre Magalhães, do Ibope/NetRatings: internet atrai pela liberdade de ação
O brasileiro caiu literalmente na rede mundial de computadores e,desde junho de 2005, está batendo, mês após mês, todos os recordes dessa nova mídia. É ele quem fica mais tempo ligado mensalmente na internet residencial: 21 horas e 44 minutos por internauta em abril, enquanto os americanos ficaram 18 horas e 49 minutos, seguidos pelos franceses (18 horas e 32 minutos), espanhóis (18 horas e 30 minutos), japoneses (17 horas e 39 minutos) e australianos (17 horas e 38 minutos). E é também o brasileiro quem mais usa sites de relacionamento, como Orkut e MSN, além de blogs, fotologs, videologs e sistemas de voz (VoIP),pelo qual bate papo com amigos e familiares.
Mais: o número de usuários brasileiros residenciais ativos saltou 200% entre 2000 e abril deste ano, quando somaram 15,9 milhões. Os dados são do Ibope/NetRatings,empresa que é resultado de joint venture entre os grupos Ibope e Nielsen e que avalia o comportamento do mercado global de internet.
Para o coordenador de análises do Ibope/NetRatings no Brasil, Alexandre Sanches Magalhães, os grandes saltos da web brasileira têm a ver com dois movimentos distintos que começaram a se encontrar nos gráficos deste ano de 2007: o ingresso da classe C no universo digital, por meio da ampliação da oferta de crédito e da queda dos juros, e a propagação da banda larga nas residências, seja por meio de ofertas de companhias de telefonia fixa, seja por pacotes que contemplam TV por assinatura e internet,além da própria telefonia. Tanto que o número de usuários residenciais navegando por banda larga passou de 671 mil em 2000 para 10,6 milhões até abril deste ano. “Nos gráficos de março e abril essas tendências começaram a se desenhar com mais nitidez, e dificilmente o brasileiro deixará de bater novos recordes, pois ainda falta o ingresso das classes D e E, que poderá ocorrer por meio de políticas de inclusão digital”, diz Magalhães. Já a banda larga, afirma, é o que tem permitido maior tempo de navegação, favorecido pela maior eficiência de sites de buscas, como o Google.Outra mudança que os gráficos apontam é o salto da presença feminina na rede,que passou de 40% de usuários residenciais em 2000 para 50% em abril.”Essa mudança teve impacto positivo na maior oferta de conteúdo de categorias como “Casa e Moda” e “Família e Estilo de Vida”, o que ajuda a ampliar o tempo mensal de navegação nas residências ao lado de comunidades (4 horas e 8 minutos), do e-commerce e das operações com instituições financeiras, a chamada internet-banking.
Magalhães ressalta também que o brasileiro com mais de 50 anos começa a entrar em campo,para obter informações bancárias, de aposentadoria ou consulta de preços de medicamentos ou mesmo em comunidades, quando estimulado por grupos e associações da melhor idade,uma forma mais politicamente correta de designar a terceira idade. Como no Brasil também não existem restrições em diversos ambientes de trabalho para o uso de ferramentas como Orkut e MSN, a tendência é de que essas ferramentas se propaguem ainda mais na internet residencial, onde o bate-papo prossegue após o trabalho. Segundo Magalhães,a grande aceitação da internet no país tem a ver com a liberdade que o meio oferece. Por isso, ele teme a adoção de medidas restritivas como as que foram desenhadas em projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB) e ganharam repercussão depois que a Justiça brasileira determinou a retirada de vídeo do site global YouTube,que mostrava uma tórrida cenas de amor al mare entre a modelo Daniela Cicarelli e o empresário Renato Malzoni Filho numa praia da Espanha. A ação foi movida por Cicarelli.
“A internet depende da liberdade de expressão para continuar expandindo, agregando pessoas e tornando-se mídia universal”,diz Magalhães,que tem acompanhado essa discussão.Entre especialistas e empresários de meios de comunicação, como Steve Forbes, que comanda um dos mais importantes grupos de informação econômica e de negócios, é a credibilidade o que diferenciará, nas telas da web, os conteúdos, por isso várias empresas de comunicação têm feito apostas certeiras nos novos meios com o objetivo de agregar novos usuários, especialmente o jovem da era digital.O pensamento de Forbes é corrente entre empresários do segmento,que encontraram na web, a exemplo do The New York Times, uma forma de também avaliar o interesse dos leitores.
Para Magalhães, essa participação colaborativa de internautas, classificada como Web 2.0, é outro fator irreversível e que tem contribuído diretamente para a exuberância dos números da internet brasileira quando comparada a outros países.
Já a indústria da publicidade tem diante de si novos desafios.O presidente da OgilvyOne no Brasil, Renato De Paula, diz que ferramentas como a internet acabaram por abrir novas fronteiras de comunicação,mas exigem que a mensagem enviada,obrigatoriamente, seja relevante,pertinente e possa ser acessada pelo usuário de um aparelho celular ou de um sistema de e-mail.Para o executivo, o crescimento da web abre também uma nova fronteira de negócios.Um dos cases da OgilvyOne mais bem-sucedidos é o de Dove, que resultou em sites e comunidades na internet ao comemorar a beleza real das mulheres deixando de lado a beleza idealizada das modelos.Hoje,a própria Unilever, dona de Dove, tem investido em produção para o YouTube.A internet, atesta Magalhães, é viral por excelência, especialmente no Brasil, que lidera o uso de comunidade. “Aqui é a terra do MSN e do Orkut, os Estados Unidos e a Europa ainda estão longe disso. Lá é o e-commerce e o e-baking que dominam”, afirma o homem que fica de olho nesses dados que colocaram o Brasil no topo da lista de recordes desse mundo novo preconizado por George Orwell em 1984.
Fonte: camara-e.net
País de navegantes
Banda larga e acesso da Classe C ao mundo digital elevam para 10,6 milhões o número de usuários residenciais da internet
Alexandre Magalhães, do Ibope/NetRatings: internet atrai pela liberdade de ação
O brasileiro caiu literalmente na rede mundial de computadores e,desde junho de 2005, está batendo, mês após mês, todos os recordes dessa nova mídia. É ele quem fica mais tempo ligado mensalmente na internet residencial: 21 horas e 44 minutos por internauta em abril, enquanto os americanos ficaram 18 horas e 49 minutos, seguidos pelos franceses (18 horas e 32 minutos), espanhóis (18 horas e 30 minutos), japoneses (17 horas e 39 minutos) e australianos (17 horas e 38 minutos). E é também o brasileiro quem mais usa sites de relacionamento, como Orkut e MSN, além de blogs, fotologs, videologs e sistemas de voz (VoIP),pelo qual bate papo com amigos e familiares.
Mais: o número de usuários brasileiros residenciais ativos saltou 200% entre 2000 e abril deste ano, quando somaram 15,9 milhões. Os dados são do Ibope/NetRatings,empresa que é resultado de joint venture entre os grupos Ibope e Nielsen e que avalia o comportamento do mercado global de internet.
Para o coordenador de análises do Ibope/NetRatings no Brasil, Alexandre Sanches Magalhães, os grandes saltos da web brasileira têm a ver com dois movimentos distintos que começaram a se encontrar nos gráficos deste ano de 2007: o ingresso da classe C no universo digital, por meio da ampliação da oferta de crédito e da queda dos juros, e a propagação da banda larga nas residências, seja por meio de ofertas de companhias de telefonia fixa, seja por pacotes que contemplam TV por assinatura e internet,além da própria telefonia. Tanto que o número de usuários residenciais navegando por banda larga passou de 671 mil em 2000 para 10,6 milhões até abril deste ano. “Nos gráficos de março e abril essas tendências começaram a se desenhar com mais nitidez, e dificilmente o brasileiro deixará de bater novos recordes, pois ainda falta o ingresso das classes D e E, que poderá ocorrer por meio de políticas de inclusão digital”, diz Magalhães. Já a banda larga, afirma, é o que tem permitido maior tempo de navegação, favorecido pela maior eficiência de sites de buscas, como o Google.Outra mudança que os gráficos apontam é o salto da presença feminina na rede,que passou de 40% de usuários residenciais em 2000 para 50% em abril.”Essa mudança teve impacto positivo na maior oferta de conteúdo de categorias como “Casa e Moda” e “Família e Estilo de Vida”, o que ajuda a ampliar o tempo mensal de navegação nas residências ao lado de comunidades (4 horas e 8 minutos), do e-commerce e das operações com instituições financeiras, a chamada internet-banking.
Magalhães ressalta também que o brasileiro com mais de 50 anos começa a entrar em campo,para obter informações bancárias, de aposentadoria ou consulta de preços de medicamentos ou mesmo em comunidades, quando estimulado por grupos e associações da melhor idade,uma forma mais politicamente correta de designar a terceira idade. Como no Brasil também não existem restrições em diversos ambientes de trabalho para o uso de ferramentas como Orkut e MSN, a tendência é de que essas ferramentas se propaguem ainda mais na internet residencial, onde o bate-papo prossegue após o trabalho. Segundo Magalhães,a grande aceitação da internet no país tem a ver com a liberdade que o meio oferece. Por isso, ele teme a adoção de medidas restritivas como as que foram desenhadas em projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB) e ganharam repercussão depois que a Justiça brasileira determinou a retirada de vídeo do site global YouTube,que mostrava uma tórrida cenas de amor al mare entre a modelo Daniela Cicarelli e o empresário Renato Malzoni Filho numa praia da Espanha. A ação foi movida por Cicarelli.
“A internet depende da liberdade de expressão para continuar expandindo, agregando pessoas e tornando-se mídia universal”,diz Magalhães,que tem acompanhado essa discussão.Entre especialistas e empresários de meios de comunicação, como Steve Forbes, que comanda um dos mais importantes grupos de informação econômica e de negócios, é a credibilidade o que diferenciará, nas telas da web, os conteúdos, por isso várias empresas de comunicação têm feito apostas certeiras nos novos meios com o objetivo de agregar novos usuários, especialmente o jovem da era digital.O pensamento de Forbes é corrente entre empresários do segmento,que encontraram na web, a exemplo do The New York Times, uma forma de também avaliar o interesse dos leitores.
Para Magalhães, essa participação colaborativa de internautas, classificada como Web 2.0, é outro fator irreversível e que tem contribuído diretamente para a exuberância dos números da internet brasileira quando comparada a outros países.
Já a indústria da publicidade tem diante de si novos desafios.O presidente da OgilvyOne no Brasil, Renato De Paula, diz que ferramentas como a internet acabaram por abrir novas fronteiras de comunicação,mas exigem que a mensagem enviada,obrigatoriamente, seja relevante,pertinente e possa ser acessada pelo usuário de um aparelho celular ou de um sistema de e-mail.Para o executivo, o crescimento da web abre também uma nova fronteira de negócios.Um dos cases da OgilvyOne mais bem-sucedidos é o de Dove, que resultou em sites e comunidades na internet ao comemorar a beleza real das mulheres deixando de lado a beleza idealizada das modelos.Hoje,a própria Unilever, dona de Dove, tem investido em produção para o YouTube.A internet, atesta Magalhães, é viral por excelência, especialmente no Brasil, que lidera o uso de comunidade. “Aqui é a terra do MSN e do Orkut, os Estados Unidos e a Europa ainda estão longe disso. Lá é o e-commerce e o e-baking que dominam”, afirma o homem que fica de olho nesses dados que colocaram o Brasil no topo da lista de recordes desse mundo novo preconizado por George Orwell em 1984.
Fonte: camara-e.net